segunda-feira, 9 de março de 2026

O Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos


Clássico da literatura infanto-juvenil brasileira, publicado pela primeira vez em 1968, O Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos, é uma obra curta, com cerca de 190 páginas, mas de uma profundidade emocional imensa.

A história é narrada por Zezé, um menino de apenas cinco anos, curioso, observador e incrivelmente esperto, tanto que aprende a ler sozinho antes mesmo de entrar para a escola. Natural de Bangu, na periferia do Rio de Janeiro, ele é conhecido na vizinhança por suas travessuras, todos diziam que o garoto "tinha o diabo no corpo". No entanto, Zezé não age por maldade, ele apenas não consegue medir as consequências de seus atos, e é justamente por essa impulsividade infantil que acaba recebendo surras e reprimendas constantes.


Nascido em uma família numerosa e pobre, Zezé vive um período de grandes dificuldades financeiras. Após o patriarca ficar desempregado, a mãe passa a trabalhar em uma fábrica para ajudar com as despesas da casa, enquanto os filhos mais velhos ajudam a cuidar dos menores.

Sem conseguir pagar o aluguel, a família se vê obrigada a mudar. No novo quintal, há várias árvores, e cada irmão escolhe a árvore mais bonita para chamar de sua e para Zezé sobra apenas um pequeno pé de laranja lima. A princípio, ele se sente injustiçado, mas é justamente dessa pequena árvore que surge uma forte e genuína amizade.

Zezé batiza a árvore de Minguinho, que se torna seu confidente, seu refúgio e o espaço onde sua imaginação pode florescer livremente. Dono de uma mente fértil, Zezé utiliza a imaginação pra criar situações, histórias e brincadeiras, fazer com que a infância dele seja mais leve.

É nesse cenário que surge Manuel Valadares, também conhecido como Portuga, um senhor rico da região. A primeira interação entre eles não é dos mais agradáveis, porém Portuga acaba se sensibilizando com o menino, e aos poucos nasce uma amizade improvável, marcada por paciência, cumplicidade e afeto, coisas que o menino raramente experimenta em casa. A amizade é mantida em segredo, como se fosse um tesouro particular.

A narrativa de O Meu Pé de Laranja Lima alterna momentos de riso genuíno com cenas de partir o coração. Rimos das travessuras de Zezé, nos encantamos com sua imaginação e, de repente, somos confrontados com a dureza de uma realidade que ainda hoje ecoa na vida de tantas crianças.

É uma história tocante sobre infância, pobreza e violência verbal e física, muitas vezes praticada por aqueles que deveriam protegê-lo, tornando-se alvo das frustrações dos adultos ao seu redor. Ainda assim, Zezé carrega uma sensibilidade rara e uma maneira de pensar diferente das crianças de sua idade. Obrigado a amadurecer cedo demais, ele conhece muito cedo o lado mais duro da vida, e é justamente por isso que sua necessidade de afeto se torna tão urgente e tão comovente.

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